quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Uma noite especial... (28 de Fevereiro de 2012)


Quando vi que não consegui sair do trabalho cedo, ainda pensei em desistir. E quando estava no ônibus acompanhando o passar da hora, ainda pensei “Será que faz sentido eu fazer isso mesmo? Será que não é muito sacrifício pra uma coisa que eu poderia fazer em casa?”

Cheguei sem muita pretensão e com pouca ansiedade.

Desde o meu segundo tombo que acho que Deus vem me puxando a orelha pra aprender a andar mais devagar na rua e não correr pra chegar nos lugares.

Tenho aprendido a ver como uma forma de confiar mais no que Ele pode fazer do que no que eu posso fazer.

Depois de uma peregrinação para sair do Centro da cidade, lá estava eu, na porta da Igreja. O relógio marcava – pontualmente – 19h30. Agradeci a Deus por ter chegado a tempo.

Perguntei a um rapaz que estava no meio da multidão ali fora: “O que estão fazendo essas pessoas aqui? Vai terminar alguma missa e estão esperando pra entrar pro Terço?” No que uma senhora respondeu: “Não. Estamos aqui pro Terço mas não dá pra entrar mais ninguém.”

Sorri sem graça.

Só sei que, logo depois do meu sorriso sem graça e me conhecendo como me conheço, sabia que não teria a mesma atenção se ficasse ali fora. Perseverantemente, fui pedindo licença e fui passando pela rampa – lotada de gente!! – pra ver até onde eu conseguia ir. Parei lá pela metade da rampa (uma rampa inclinada).

Pensei, ainda com pouca fé: “O negócio deve ser bonzinho mesmo...”

E ouvi alguém chamando “Luiza! Luiza!” E fiquei pensando como – no meio de um lugar hiper lotado e com pouca iluminação – alguém estava me vendo. E mais: no meio de tanta gente, será que só tinha eu de Luiza?

Mas era eu mesma! A Vivi – que estava fazendo aniversário e tinha me dito que iria lá – tava perto de onde eu estava mas ela estava encostada na parede da rampa, onde havia como apoiar a minha bolsa. Adorei ! Com certeza eu me concentraria melhor sem peso.

[[ Agora vejo o quanto já foi um dos primeiros mimos de Deus nessa noite. ]]

Diferente de como eu imaginava, tudo começou com um louvor.

Depois, uma reflexão rápida sobre o sentido da Quaresma e os efeitos também.

Uma oração, algumas intenções e... começamos o Terço.

Vi, perto de mim, pessoas sentando no chão mas o que mais me chamou a atenção é que eu – tão adepta a sentar no chão se não tiver outro lugar pra sentar – não tive nenhuma vontade de fazer o mesmo. De alguma forma foi como se, estando em pé, eu me distrairia menos. E assim foi.

[[ Mais um mimo de Deus, não me deixando abater com algo que sempre me abate! ]]

O Primeiro Mistério foi uma lavada na alma. E quando acabou, veio o detalhe da oração e de mais um louvor.

Como é bom misturar um apanhado de coisas tão boas que podemos entregar a Deus! Com certeza, muito pouco em vista do tanto que Ele faz por nós! Mas... ainda assim, sentia no meu coração que muitas pessoas ali estavam dando o seu melhor. Vi inclusive, pessoas muito humildes. Um senhorzinho espremido do lado direito da rampa que dava pra um jardinzinho e orando com seus olhos fechados e as mãos bem agarradas ao terço que ventava meio às plantinhas do jardim.

Também vi pessoas muito finas. Vi meninas jovens – também com um estilo mais sofisticado – e fiquei feliz em ver a oração delas, a dedicação àquele momento.

[[ Num mundo em que estamos tão acostumados em ver mais fé naqueles que nada têm, Deus me mostrava o quanto Ele tinha pra dar para aqueles que têm muitas coisas mas desejam ter mais de Deus. ]]

Vi essas meninas chorarem como crianças e orarem como mulheres!

Eu estava vivendo, sem dúvida, um momento rico demais. Um Terço mais que especial. Um Terço com o carinho da presença de santos e anjos que passeavam em nosso meio, segundo à fé nas palavras do Pedro Siqueira em suas revelações.

(Àqueles que se questionam sobre revelações e profecias, segue um trechinho da Bíblia no anexo deste email, na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 12)

E foi assim, num Terço que não tenho palavras pra descrever porque é tão profundo, que eu saí mais apaixonada pelo sentido da minha fé.

Peguei o ônibus de volta pra casa lembrando de quando estive em Fátima (Portugal) e eu era tão descrente de algumas intercessões em nosso favor. E lembrei que, como num milagre, Deus me fez observar pessoas que passavam por mim de joelhos: homens e mulheres orantes, pedintes e com certeza gratos, por alguma razão.

[[ E lembro que, a partir desse dia, martelava em meu coração a clareza do quanto é bela a fé.

Aquela fé gigante.

A fé que é quase que nada de raciocínio e tudo de amor. ]]

“Tudo é nada, e menos que nada o que se acaba e não con­tenta a Deus.”
(Santa Teresa de Jesus)

E a fé é isso mesmo:
Inexplicável,
Sobrenatural,
Misteriosa.

Se não, não seria fé.

“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. (...)Para se achegar a Deus é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram.”
(Hebreus 11, 1 e 6)

Acho que saí desse Terço me sentindo como mãe de uma filhinha: mãe da minha fé! Responsável pelo desempenho da minha fé! É como se, pro meu próprio bem, fosse viável alimentá-la – a partir de hoje – com todas as coisas boas que eu puder! Sejam orações, leituras, posturas...Com todas as coisas que a façam crescer! Todas as coisas que façam a minha fé mais fortalecida, mais nutrida, mais inabalável... a façam maior!

Um dia me perguntaram: “Mas por que sacrificarmos coisas na Quaresma se Jesus já viveu todos os sacrifícios por nós?”

Eu não tenho resposta pra tudo. Apenas respondi que temos sim o livre arbítrio de vivermos voltados para nós mesmos e não nos sacrificarmos com coisa alguma. Porém, não vejo muito sentido em sermos paparicados pelo Pai do Céu sem que saibamos abrir mão um pouquinho de tantas coisas e hábitos que temos e que talvez não faça o coração Dele tão feliz...

E ter esse sentimento tão claro no meu coração é pura questão de fé!

Ver que – justo na dor – é quando mais amadurecemos e somos moldados...

Numa outra ocasião, decepcionei uma pessoa muito querida, por falar coisas verdadeiras e que ela tinha pedido minha opinião. Pedi desculpas por ter sido tão verdadeira e citei o exemplo de Deus que, nos ama tanto a ponto de permitir que vivamos alguns sofrimentos e tantos e tantos obstáculos não para o nosso mal mas porque o Pai que muito ama também muito corrige, muito ensina... e nem sempre vai poder passar a mão na nossa cabeça. Isso não nos prepararia pra vida. Não nos prepararia para o mundo...

E acrescentei a ela: “Foi por amor que eu falei. Eu poderia falar o que você queria ouvir porém, isso não seria querer seu bem. Isso não seria amar você.”

E me pego pensando no quanto somos “doutrinados”, nos dias de hoje, a sermos cômodos, racionais, espertos e egoístas.

A gente se dispõe a tantas dores... Tantas dores que já são previsíveis e que, mesmo assim, a gente vai em frente!

São balas e doces que comemos mesmo sabendo que temos tendência à cáries e... lá vem a dor de dente (totalmente previsível);

São noites que passamos num show e chegamos em casa exaustos, já com o dia amanhecendo, sabendo que se temos tendência à dor de cabeça por falta de sono, teremos dor de cabeça! E... lá vem a dor de cabeça (de novo, totalmente previsível);

São noites em baladas, com salto alto que arde o pé de tanta canseira de ficar em cima dos saltos e... lá vem a dor na coluna no dia seguinte (claro, pra quem sabe que tem tendência a esse tipo de coisa);

São tatuagens bacanas, da moda, e uma mais bonita que a outra e... lá vem a dor no corpo e tantos remédios previsíveis, justo por causa da tatuagem;

São namoros que estão atestados que não vão dar certo mas mesmo assim, quantos de nós já insistimos, insistimos, insistimos até que... lá vinha a terrível dor da perda da Princesa ou do Príncipe Encantados, quando um dos dois via que não dava pra continuar...!

E fico pensando:

Por que a gente se dispõe a tantas dores e não agüentamos um Terço em pé, num dia de semana, num dia de trabalho, depois de um engarrafamento e etc?

Por que não compreendemos sacrifícios que vão nos ensinar a sermos pessoas melhores?

Por que questionamos tanto os planos de Deus quando, no fundo, sabemos que Ele sofreu as piores e mais fortes dores por amor a nós e não nos deixaria passar por nada que não pudéssemos suportar realmente?

Confesso que, cada vez mais, o que mais me deixa feliz é aprender a não questionar as coisas de Deus e nem ir à caça de explicações aos mistérios Dele.

“Creio para compreender e compreendo para crer melhor.”
(Santo Agostinho)

Porque só nos nutrindo de muita fé é que aprendemos a descansar no Seu colo e vemo-nos como seres humanos limitados.

Ele não quer que a gente saiba tudo...

...Ele quer ser o nosso tudo, pra sempre e sempre e sempre...

Amém!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Instantes

Poema escrito por Nadine Stair, em 1953, quando ela estava morrendo de câncer.

Bom, simples e real ! Apesar de amanhã ser outro dia, o que fazemos com o hoje, pode ser que não dê pra ser corrigido amanhã... Por isso, muita sabedoria sempre...!

*** Instantes ***

Se eu pudesse viver minha vida novamente,
seria mais tola do que tenho sido.

Correria mais riscos,
faria mais viagens,
contemplaria mais amanheceres,
subiria em mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca estive,
comeria mais doces e menos verduras,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e prolificamente cada
minuto de sua vida – e é claro que tive momentos de alegria.

Mas, se eu pudesse voltar atrás, trataria de ter somente bons
momentos.
Pois, se não sabes, é disso que a vida é feita.

E não perca nunca o aqui e o agora.

Eu era uma dessas que não iam a nenhuma parte sem um termômetro,
uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva
e um pára-quedas.

Se eu pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria por andar descalço
desde o início da primavera e seguiria assim até terminar
o outono.
Daria mais voltas pelas pequenas ruas.

Se eu tivesse outra vez minha vida pela frente, brincaria com mais crianças...

Mas, perceba… tenho 85 anos… e sei que estou morrendo.

(Nadine Stair, 1953)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A menina que dobrava os joelhos




Clara tinha lido, ainda na infância, sobre o Joelho Juvenal. Esse era o título de um livrinho do escritor Ziraldo, que falava das alegrias de um joelho que vivia machucado mas... vivia feliz! Ele era joelho de um menino bem menino, isto é, menino criança, menino que corria, pulava, brincava com outras crianças. Vez em sempre, lá estava o Juvenal todo cheio de "bandaid" e todo ralado. Com um olho aberto e outro inchado, o Juvenal, ainda assim, se sentia feliz. Um dia, o menino cresceu e Juvenal nunca mais viu a luz do dia... O menino usava calças, todos os dias, pois não brincava mais. Ele ia trabalhar.

Clara pensava “mesmo com a dor dos machucados, tinha motivos pra Juvenal ser feliz”. Assim também é a vida... Mesmo com dores, situações inevitáveis, preocupações que tiram o sono... existe pelo menos um motivo pra ser feliz todos os dias. Afinal, melhor a luz do dia do que uma vida sem luz.

Quando já adolescente, Clara se apaixonou. Se apaixonou por um Homem que deu a vida por ela. Numa atitude de honra e amor, pensou que poderia conversar com Ele ajoelhada, quando se concentraria mais e ouviria melhor a voz Dele.

Nunca se importou se achavam isso estranho. Afinal, ninguém entendia o Juvenal também...! Ninguém entendia como ele podia ser feliz caindo sempre, se machucando tanto. Clara se importava que tinha joelhos, tinha duas pernas... tinha condições físicas para poder se ajoelhar como um ato de amor àquele Homem que lhe deu a vida. E sempre que se ajoelhava, pensava naqueles que queriam fazer o mesmo mas não tinham joelhos ou, não tinham condições de tal ato.

Um dia, Clara levou um tombo. Estranhou muito quando passou dias sem conversar com Ele ajoelhada. Numa outra ocasião, Clara fez uma cirurgia de emergência e lá estava ela, de novo, deitada, sentindo como se faltasse algo... Faltava o Juvenal dela num travesseirinho bem acomodado no chão.

Com a recuperação, começou tudo de novo. Estivesse cansado, ou com sono; estivesse atrasado para trabalhar ou com preguiça, o Juvenal de Clara abraçava aquele travesseirinho no chão com vontade, com amor. Não se machucava mas era feliz – mesmo que já fosse joelho de menina grande – era feliz por aquela alegria de Clara. Não corria como o Juvenal do Ziraldo mas... era muito feliz.

O tempo passou e Clara levou mais um tombo. Dessa vez, o joelho foi acertado em cheio. Uma tendinite retirou, de novo, o velho e bom hábito da grande menina. Foram vários dias mancando, vários dias enchendo de fios que davam choquinhos, gel e mais um monte de coisas da Fisioterapia que Clara fazia. Quando via pessoas se ajoelhando, Clara permanecia em pé; quando acordava, Clara ficava de pé ao invés de joelhos; e quando ia dormir, lá estava Clara de pé, com seu Juvenal meio manco, meio sem função, tão de licença quanto ela estava.

Dia desses (se não me engano, hoje tem 8 dias), Clara me contou a novidade: Depois de muito tempo, voltou a conversar com o Autor da Vida, bem de joelhos!

E ela contou numa alegria...!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Até é uma pena que o Juvenal da menina grande não fala... Se ele falasse, por certo diria que também voltara a vibrar com a saúde de poder se colocar ao chão, todos os dias, simplesmente por amor.

Em tempo...

Clara é amiga da Flávia Chagas. Flávia renovou a Habilitação recentemente e também fez aniversário recentemente.

Numa troca de e-mails em que Clara a parabenizava por mais 1 ano de vida, Flávia contou uma boa história: ao renovar a Habilitação, havia uma série de perguntas que a própria Clara (coincidentemente também tinha renovado a dela por aqueles dias) achou uma chatice responder aquele bando de perguntas. Clara estava voando na hora do almoço para renovar a Habilitação e estava aflita por causa da hora no trabalho. Na pressa, Clara não percebeu o que Flávia percebera...

É que, de todas as perguntas feitas no formulário (sofreu acidente grave? possui alguma deficiência visual ou motora? possui hipertensão, diabetes, etc? já quebrou algum membro?), Flávia se deu conta que respondeu “não” em todas! Quanto abençoada ela era! E, ao contar pra Clara, ela também se deu conta do quanto tinha mais razões pra ser feliz!

Ninguém descobriu ainda o nome do Juvenal da Clara (e nem do Juvenal da Flávia) mas, um passarinho me contou que, no mínimo, eles são irmãos. Os joelhos das amigas são irmãos porque as amigas são filhas do mesmo Pai (pois Ele também deu a vida pela Flávia).

E, por certo, o Juvenal tem mais de 1 bilhão de irmãos mundo afora... E todos eles – ainda que com nomes diferentes – também têm motivos para serem felizes...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O girassol que me lembrou fé; o girassol que me lembrou de Assis!!!


"Olhe para os girassóis. Eles são submissos. Mas não há sofrimento nessa submissão. Trata-se de uma fidelidade, sem escravidão.
A lógica é simples: Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria. É regra da vida que não passa por argumentos ou por aprendizado de livros.
É força natural conduzida pelo caule e ordenando que a flor realize o giro, toda vez que mudar a direção do sol. Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina. Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura. Eles giram e querem o sol.

(...)

A partir deles, eu me ponho a pensar no meu destino de ser humano. Penso no quanto eu também sou necessitado de me voltar para uma força regente, absoluta, determinante.
Eu preciso de Deus. Se pra Ele não me volto, corro o risco de me desprender da possibilidade de ser feliz. É Nele que me sentido está todo contido.Tudo o que eu ainda posso ser, Nele está escondido. Descubro maravilhado. Mas no finito que me envolve, posso descobrir o desafio de antecipar no tempo, o que Nele já está realizado.
Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos. Eu Dele me recebo assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem a luz. A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa. O mesmo é comigo. O mesmo é conosco... Deus é nosso sol, e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se Nele não pusermos a direção dos nossos olhos.

(...)

Nós somos como os girassóis. Estamos todos num mesmo campo. Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar a que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.
Não podemos querer o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção. Não podemos substituir o essencial pelo acidental, afinal, é a nossa realização que está em jogo.

Girassol só pode ser feliz se para o sol estiver orientado. É por isso que eles não perdem tempo com as sombras. Eles já sabem mas nós, precisamos aprender...

Meu querido filho, não tenha medo deste aprendizado. Pelo o que percebo, você pertence a essa classe intelectual que insiste em tirar Deus da história. Compreende que crer em Deus não é razoável. Que a fé um argumento de segunda grandeza. Eu também já integrei este grupo mas hoje não penso mais assim.

A crença no Sagrado exige muita grandeza humana. Crer em Deus é muito mais sofisticado do que não crer. A crença em Deus requer sensibilidade, ao passo que, não crer, não exige muito esforço."

(Do livro "Tempo de esperas", do Pe. Fábio de Melo)

Natal de 2011





Senhor,
Como é bom estarmos reunidos em família. Sabemos que aqui está a nossa raiz e a nossa geração. Sabemos que nascemos nesse meio, que fomos educados nos lares que aqui estão representados e que, por muitas vezes, ainda quando crianças, brincávamos saudavelmente e trazemos daí, tantas lembranças boas. Já quando adultos, ganhamos novos parentes que passaram a fazer parte da nossa família. Todos – nessa família – vivemos e partilhamos dificuldades, dores, vitórias, alegrias. Em família, sabemos que podemos ser amigos, que podemos contar uns com os outros.
Sabemos que o sofrimento faz parte da vida pois somos seres humanos. Sabemos que a tristeza, a ansiedade, a inquietação e até mesmo as nossas faltas, fazem parte da vida pois somos pecadores.
Hoje, dia de Natal, celebramos a vinda de Jesus ao mundo como Homem, para nos ensinar valores e princípios; obstáculos que, com Ele, podem ser ultrapassados; uma vida de serenidade e paz; um caminhar iluminado, honesto, puro, na verdade e na esperança. Celebramos o Jesus que veio ao mundo como Homem para nos mostrar que os mistérios fazem parte da vida e que, pela fé, devemos sempre entregar tudo nas mãos do Pai, já que desejamos que a vontade Dele esteja acima da nossa.
Hoje, dia de Natal, celebramos o amor. O Verbo que se fez carne e habitou entre nós.
A nossa oração, Jesus, é que a gente viva também esse amor.
Que a gente experimente confiar toda a nossa vida a Ti, em primeiro lugar. E que, a partir do amor, a gente consiga perdoar aqueles que temos guardado mágoas ou raivas; que a gente possa enxergar as Suas mãos, Jesus, inclusive quando estamos sofrendo pois sabemos que de tudo o Senhor quer que a gente aprenda algo ou simplesmente confie que a vontade deve ser Sua e não nossa; que a gente aprenda a silenciar ao invés de responder àqueles que nos ofendem; que acreditemos em coisas boas, em vitórias, em milagres; que nosso foco não seja a reclamação e nem o problema pois isso não nos traz nenhum bem e também isso não nos ajuda resolver nada...
Que coloquemos em prática a nossa fé ao invés da nossa murmuração ou nosso problema; que a alegria faça parte da nossa vida pois sabemos que, Contigo, podemos ser alegres. A alegria é fruto de um coração completamente cheio de fé!
E que o amor, que renasce a cada manhã (e que celebramos especialmente no dia de hoje), dê frutos... muitos frutos em nosso meio.
Que a nossa árvore-família fortaleça nossas raízes perto de águas tranqüilas, águas que nunca cessam. Águas que brotam do Seu amor e, por isso, nunca temos sede; nunca  precisamos temer; nunca (nem nada) nos falta.
Olhando para 2011, que possamos ver não apenas problemas mas também toda Sua proteção e todas as Suas bênçãos! Que nossos olhos enxerguem muito além das lutas,  das decepções, das raivas, das cruzes que reclamamos (quem sabe, reclamamos todos os dias de 2011...)
Que nossos olhos vejam que em cada dia de 2011 nada nos faltou. O Senhor é o Pastor que nos conduz. E é o Senhor quem diz que nada nos falta. Sim, Jesus, nós repetimos do fundo do nosso coração: nada nos faltou em 2011 ! Porque o Senhor soube, sabe e sempre saberá o que verdadeiramente nos é necessário. O Seu amor por nós não tem fim!

Nesse momento, fazemos um instante de silêncio para refletir:

  • sobre aqueles que ofendemos e queremos pedir perdão
  • sobre aqueles que nos ofenderam e não conseguimos perdoar mas desejamos perdoar
  • sobre aqueles que não soubemos dar amor
  • sobre aqueles que não soubemos respeitar ou aceitar do jeito que eles são
  • sobre aqueles que estão doentes e precisam do nosso apoio, das nossas orações, do nosso carinho e da nossa presença
  • sobre aqueles que se afastaram da nossa família
  • sobre tudo o que podemos agradecer em 2011
  • sobre tudo o que desejamos para 2012

E que, assim como Maria, possamos também dizer, do fundo do nosso coração:

“A minha alma engrandece o Senhor,
e se alegra o meu espírito em Deus, meu Salvador.

O Poderoso fez em mim maravilhas,
e Santo é o seu nome!

Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que O respeitam
.

Demonstrou o poder de Seu braço,
e os humildes exaltou.”

(Lucas 1, 46 – 52)

sábado, 24 de setembro de 2011

A humanidade de Cristo!!!

«Se ignorais a Minha divindade, reconhecei ao menos a Minha humanidade. Vede em Mim o vosso corpo,
os vossos membros,
as vossas entranhas,
os vossos ossos,
o vosso sangue.
E se o que pertence a Deus vos inspira temor, não vos agradará o que vos pertence a vós? 
Mas talvez a enormidade da Minha Paixão, da qual vós sois a causa, vos cubra de vergonha?

Não temais.
Esta cruz não foi mortal para Mim, mas para a morte.
Estes pregos não Me penetram de dores, mas de um amor ainda mais profundo por vós.
Estas feridas não provocam gemidos, mas fazem-vos entrar ainda mais no Meu coração.
O esquartejar do Meu corpo abre-vos os Meus braços como um refúgio, não aumenta o Meu suplício.
O Meu sangue não está perdido por mim, mas guardado para vosso resgate.

Vinde pois,
voltai para Mim e reconhecei o vosso Pai,
vendo que Ele vos paga:
o mal com o bem,
os insultos com o amor,
e tão grandes feridas com uma tão grande caridade.»

(Marcos 10,45)


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

De Deus, para mim: "Eu te amo tanto!!!"


"Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra."
(Isaías 55,9)

Por que me resgatou?


Por que me trouxe aqui?

Por que me queres, Deus, tanto assim?

Se contra o céu pequei, e contra ti também.

Como errei...

Por que me queres tanto assim?

Filho eu quero tanto

Enxugar teu pranto, te fazer só meu.

Filho eu quero ser teu Deus

Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto

Filho vem ser meu. Filho eu quero ser teu Deus

Eu quero te envolver em meus mistérios

No manto da minha Glória

Eu vou desenrolar o rolo santo

Mudar a tua história

Eu vou fazer de ti vaso de honra

Eu vou envergonhar os que te zombam

Vou te dar vitória


Filho eu quero tanto

Enxugar teu pranto te fazer só meu.

Filho eu quero ser teu Deus

Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto

Filho vem ser meu, filho eu quero ser teu Deus


Por que eu te amo !!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Faça as pazes com você!


FAÇA AS PAZES COM VOCÊ

(por Mariana Motomura)

Perdoar não é só questão de generosidade. Nem é fácil. Quando a gente consegue, fecha uma ferida, sai fortalecido e reencontra o equilíbrio emocional.

A história daquela senhora sempre me impressionou. O marido a abandonou, deixando para trás uma casa cheia de contas para pagar e dois filhos pequenos. Ela podia ter se descabelado, entrado em depressão ou deixado a peteca cair com aquela responsabilidade toda. Que nada. Manteve a tranqüilidade até quando soube que o ex-marido estava casado com outra mulher, com quem teve mais filhos. Quando o ex-marido morreu, deixou também a segunda família à míngua. A senhora foi até lá e pegou os outros filhos do ex-marido para criar. Ela perdoou a traição e seguiu em frente. Ainda bem, senão eu não estaria escrevendo este texto aqui hoje. Essa velhinha é a minha bisavó, que viveu até os 93 anos, tempo suficiente para deixar para os bisnetos um exemplo claro de que perdoar vale, sim, a pena.

Sabe por que? Porque o perdão é uma ferramenta necessária para a evolução da humanidade. No século passado, a França brigou com a Inglaterra, que lutou contra a Alemanha, que guerreou com os Estados Unidos, que bombardearam o Japão, que atacou a China, que teve rusgas com a Rússia. E nem por isso o mundo parou – graças ao perdão. Claro, há interesses bem concretos que ajudam a explicar por que um país não corta relações com o outro. Mas a mágoa, quando fica, acaba servindo de desculpa para novas guerras. E as nações, se ficam isoladas, progridem mais devagar ou simplesmente não evoluem.

Entre as pessoas ocorre coisa parecida. Com o perdão, o conflito é superado e a vida continua – em outras sintonia, mais leve e melhor. Não é só uma questão de generosidade, embora ela seja bem importante. É questão de admitir que todos erram, às vezes sem intenção, às vezes por pura fraqueza. E saber que, concedendo o perdão, você tem muito a ganhar, inclusive do ponto de vista de seu bem-estar emocional e físico.

Oferecer a outra face

Nas religiões, a idéia de perdoar é bem antiga – apareceu antes mesmo do cristianismo. “Dentro do velho judaísmo, as doenças eram vistas como conseqüência do pecado de alguém da família, que podia ser perdoado por Deus”, diz o teólogo e padre católico Edélcio Serafim Ottaviani. Hoje, o ato de perdoar, para os judeus, não é exclusivamente divina, mas continua sendo central na religião. “No Yom Kippur, o Dia do Perdão, a gente jejua e faz uma manifestação de remorso pelo que fizemos de errado. É o dia mais importante do calendário judeu, porque é impossível viver sem perdão”, diz o rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista. “Antes de pedir perdão a Deus na sinagoga, temos a obrigação de pedir perdão aos nossos semelhantes. Deus perdoa somente quando nós perdoamos uns aos outros”, afirma.

No catolicismo, que herdou parte da doutrina judaica, o perdão está em uma das principais orações repetidas pelos fiéis, o pai-nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Mesmo assim, é mais comum encontrar um católico pedindo perdão a Deus do que oferecendo perdão a um vizinho briguento. Os cristãos ensinam que, para quem pede perdão, é indispensável o arrependimento sincero. “Não basta admitir superficialmente as próprias faltas e ser perdoado, é preciso também fazer um ato de ressarcimento, a penitência, que relembre o pecador da gravidade de sua falta”, diz o padre Edélcio. Para quem perdoa, a generosidade é indispensável – até para oferecer a outra face.

Nas religiões orientais, como o budismo, o perdão é mais humanizado, porque as fraquezas humanas são consideradas parte do jogo. “Todos nós somos entes profanos. Temos que nos aceitas uns aos outros com nossas mazelas”,diz o monge budista Ricardo Mário Gonçalves. Assim, perdoar outra pessoa também é uma forma de admitir – e assimilar – nossos próprios erros.

Na prática, seguir a ética das religiões não é tão fácil assim. “A gratidão e o perdão são sentimentos de pessoas muito nobres, que estão disposta a compreender a outro”, diz o psiquiatra Wimer Bottura Junior, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática. Haja desprendimento, se você pensar o perdão só como uma questão de ser boa-praça ou de seguir preceitos religiosos. Por isso, você não vai encontrar neste texto nenhuma frase do tipo “perdoar é simples, basta tentar”. Aprender a perdoar está na lista das tarefas complicadas, que exigem dedicação, mas que trazem aquele gostinho especial das empreitadas difíceis: leveza de espírito, alívio, paz e até benefícios para a saúde. Quer tentar?

Ira inicial

Você estava tão empolgado com aquele novo plano de vendas que contou a um colega sua brilhante idéia. E, antes que você percebesse, o tal colega foi ao chefe e apresentou o projeto como se fosse dele. O que fazer? Começando pelo começo: bote para fora a raiva. Sim, é normal sentir raiva, esse sentimento feio que tentamos esconder sempre que dá. Desabafe, grite, chore e conte para alguém de confiança, como sua mãe, seu marido ou sua namorada. Fingir que nada aconteceu e guardar a ira só para você não ajuda em nada. “Há dois tipos de raiva. Uma fica dentro de mim me remoendo e me paralisando, e a outra me impulsiona para a reação”, diz a psicóloga Adriana Carbone, de São Paulo. Esse segundo tipo é que vai ajudar a superar a sensação de ter sido enganado.

Em um segundo momento, quando a poeira tiver baixado um pouco, é hora de relembrar a história e tentar entender, tintim por tintim, o que aconteceu. É bom recordar os fatos sem se vitimizar ou demonizar a pessoa que magoou você. “Se a pessoa precisa perdoar alguém,é porque se sentiu agredida. É preciso, então, pensar: eu fui mesmo agredido ou só me senti agredido? Porque muitas vezes as pessoas se sentem agredidas sem terem sido de fato”, diz Wimer. Outra dica é dosar sua expectativa em relação aos outros. “Muitas vezes, as pessoas magoadas acham que os outros não cumprem as suas expectativas. Mas ela pode ser uma pessoa que espera demais. Assim, com freqüência os outros não vão corresponder.”

E nada de se colocar no papel de coitadinho – é preciso assumir também sua parcela de responsabilidade na tal história que tanto o chateou. “Perdoar o outro que me magoou é reconhecer em mim onde foi que eu negligenciei”, diz a psicóloga Adriana Carbone. “No geral, alguma coisa eu fiz ou deixei de fazer para que o outro fizesse o que me chateou. Se eu dei confiança demais para uma pessoa e ela abusou, não é apenas porque ela é uma traíra, mas também porque eu dei espaço.” Mas atenção: chamar a responsabilidade para si é diferente de se culpar. “Se você olha para dentro de si, naturalmente vai enxergar uma série de limitações. A partir de uma autocrítica profunda, você aumenta sua dose de autoconsciência e vai dissolvendo seus erros”, diz o monge Ricardo Gonçalves.

Muita calma nessa hora, porque esse processo pode levar algum tempo e é incômodo – nem sempre é agradável reconhecer que também deslizamos e abrimos uma brecha para que a agressão acontecesse.

Ver o outro lado

Depois que já relembrou a situação e entendeu direitinho seu papel, vale a pena dedicar um tempo para refletir sobre a atitude de quem feriu você. “Pode parecer piegas, mas tenho que enxergar as semelhanças e as diferenças entre mim e o outro, para ter uma multiplicidade de visões”, diz Adriana Carbone. É a velha história de se colocar no lugar do outro.

Foi o que fez a secretária Kelly Ramos com o motorista bêbado que a atropelou quando ela tinha 15 anos. “Fiquei sabendo que ele era bicheiro e já tinha sido preso. Fiz um esforço para pensar no lado dele. Eu não sabia o que esse homem passava, devia ser tão infeliz”, relembra. Quando ela foi aos tribunais para o julgamento do agressor, já o tinha perdoado. Ninguém se iluda: não foi de uma hora para outra. Ela admite que por um bom tempo sentia raiva do motorista, mas conseguiu superá-lo ao pensar que aquela ira toda não a levaria a lugar algum. Mesmo após perdoar o motorista, ela levou o julgamento até o fim, pois não queria que outras pessoas acabassem sob as rodas do “barbeiro” inconseqüente.

O perdão de Kelly não significa que ela tenha esquecido a gravidade do acidente. “Perdoar não é esquecer. Isso seria negar sua história de vida, perder sua realidade”, diz o psicólogo Alexandre Rivero. Também é importante perceber que o principal beneficiado é sempre aquele que perdoa – é ele quem ganha paz ao tirar o peso da mágoa de seu coração.

Kelly não esperou o motorista pedir perdão para perdoá-lo. E muitas vezes as pessoas que nos magoam não pedem perdão mesmo. Nesse caso, elas podem simplesmente nem ter se dado conta de que nos machucaram ou são simplesmente inseguras. “Algumas pessoas se sentem fragilizadas e não conseguem assumir que são um ser em construção. O problema é que, quando a pessoa está vulnerável, ela fica mais rígida e arrogante. Quando a pessoa passa uma imagem muito inatingível, por trás dessa imagem existe um medo muito grande de ser percebido com frágil”, afirma Alexandre Rivero.

Agora, vamos combinar: não é o caso de se policiar e querer perdão por tudo. Nos pequenos atrasos ou deslizes cotidianos, um pedido desculpas resolve. Sim, preste atenção na maneira como muito de nós usam as duas expressões, com significados ligeiramente diferentes. Perdão em geral se aplica a coisa mais sérias, que exigem uma reflexão – e uma superação – mais elaborada. Desculpas são, digamos, algo mais light. “Pedir desculpas é pedir que a culpa seja atenuada ou eliminada”, esclarece o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, da PUC de São Paulo.

É bom ter em mente que, em princípio, tudo pode ser perdoado. Mas é claro que isso exige que cada um flexibilize seus limites pessoais e esqueça palavras com “nunca” ou “sempre”. Para perdoar de verdade, abra mão de preconceitos e idéias empoeiradas. “Não há nada que não possa ser perdoado, mesmo o assassinato de crianças ou as atrocidades do holocausto. O que acontece é que algumas pessoas têm mais facilidade para perdoar do que outras”,diz o psicólogo Frederic Luskin, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. E, pode reparar, em matéria de perdão, quanto maior o esforço, maior o ganho.

Lições para o futuro

Extrair ensinamentos positivos daquilo que até pouco tempo atrás parecia uma tragédia é o passo seguinte é o passo seguinte. Lembra do colega que, vamos dizer, se adiantou a você na empresa? Talvez você agora veja que precisa ser mais discreto no ambiente de trabalho ou que deve escolher melhor com quem partilhar esse tipo de informação. É assim que o trauma é superado: deixando de olhar o passado e usando o aprendizado para situações futuras. Isso não significa esquecer o que ocorreu, mas interpretar de outra forma.

Mais uma vez, há algumas dicas para saber se no fundo, no fundo, o rancor já passou. Primeiro,verifique se você ainda tem raiva ou se deseja se vingar do agressor. Se a resposta for sim, ainda que discretamente, você ainda não chegou lá. Deliciar-se com a punição do outro também não é um bom indicador do perdão sincero. Se você rolou de rir quando o colega que passou a mão na sua idéia foi mandado embora, você é normal, tudo bem, mas ainda está preso ao episódio. A indiferença também não resolve. “Se a pessoa que te magoou não significa nada para você, é sinal de que você ainda não perdoou”, diz Adriana Carbone.

O ideal é que ambos, vítima e agressor, se considerem no mesmo patamar. A terapeuta familiar Maria Amália Faller Vitale, professora da PUC de São Paulo, ilustra a situação com uma metáfora: o agressor tem uma dívida moral com a vítima. Se a vítima nunca o perdoar, vai continuar sempre endividado, com uma conta impagável. “O perdão se traduz em uma ação que permite o reequilíbrio em uma relação”, diz Maria Amália. Mas essa é uma conta diferente, pois o pagamento da dívida depende do credor, e não do endividado.

E a reconciliação?

Terminada a hipoteca, cabe a você decidir se quer se reconciliar com quem feriu. “O perdão não significa que eu vá voltar a me relacionar com a pessoa. SE ela faz coisas que não me agradam, eu me afasto”, diz o psicólogo Alexandre Rivero. “Você consegue reconhecer o perdão quando você se sente feliz com você, mesmo antes de se sentir melhor com o outro”, completa Adriana Carvone.

O teste final para saber se seu coração perdoou mesmo o agressor é, segundo a receita do psicólogo Frederic Luskin, recontar o episódio depois. Se de repente você perceber que deixou a ser a vítima coitadinha e passou a ser uma espécie de protagonista da sua própria história, alguém que enfrentou a mágoa e ainda conseguiu ficar em paz consigo mesmo, você pode acreditar que encontrou o pote de outro atrás do arco-íris. “O perdão é uma coisa difícil, quase impossível, mas, quando eu perdoei, foi como se um anjo tivesse tirado um peso do meu coração. E ficou tudo azul”, diz Kelly, depois de ter superado a raiva por seu atropelamento.

Os benefícios não param por aí. A saúde também sorri para quem perdoa. “A falta do perdão gera mágoa e sentimentos que deixam feridas abertas dentro das pessoas. Quando falamos em perdão, falamos em fechar feridas. Há pesquisas que mostram que há pessoas com câncer que são ressentidas, com muitas mágoas”, diz o psiquiatra Wimer Bottura. Mais específico ainda, um estudo publicado por Fred Luskin mostra que quem exercita o perdão fica menos nervoso, menos estressado, tem maior vitalidade física, e, ufa, mais confiança na sua capacidade de lidar com os problemas da vida.

Na época da minha bisavó, não existia nenhuma dessas pesquisas. Mas hoje, sabendo de tudo isso, dá para desconfiar que perdoar tem algo a ver com ela ter vivido tantos anos.

PARA SABER MAIS:

O Poder do Perdão, Fred Luskin, Novo Paradigma

NA INTERNET:

Conheça os movimentos internacionais pelo perdão, que têm sites em inglês, e histórias que podem servir de inspiração para você.

www.revistavidasimples.com.br

Fonte dessa matéria: http://www.espereniteroi.com/rede/index.php?option=com_content&view=article&id=37:reportagem-vida-simples&catid=18&Itemid=121

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Saudade, 10 de Agosto de 2011, 22h35

Irmão...
eu sinto uma saudade tão grande de você...
Saudade daquela pessoa que eu tinha tanto orgulho;
daquela pessoa que me fazia perder a vaidade;
daquela pessoa que me fazia perder os medos;
daquela pessoa que estava sempre forte.

Meu doce irmão...
sempre disposto;
sempre com esperança;
sempre com um sorriso no rosto (mesmo sendo isso impossível fisicamente);
sempre com uma garra e uma certeza de vencer, aliás, vontade de viver...
Eu nunca vi nada igual...

A vovó se parece demais com você (mas, graças a Deus, ela não tem a doença que você tinha). Aliás, você lembrava que era doente?
Por muitas vezes, eu vi que não...

Te amei tanto, meu querido...
Te fazer feliz, me fazia feliz!
Embarcar nos seus sonhos, me fazia lembrar como é bom sonhar, aliás, como é possível realizar sonhos!

Ah... meu querido... que falta você me faz...
Saudade do seu abraço apertado;
seu aperto de mão que eu brigava quando você apertava muito forte;
Saudade do seu exemplo de generosidade, solidariedade, humildade...

Morro de saudades de vc...

Aquele dedão do pé engraçado;
aquela barriguinha branquinha e cheia de cicatrizes que relembravam sua luta e fé;
aquela orelha que eu zombava;
aquela sua vontade de dançar e cantar, mesmo sem poder cantar...

Quem vai gravar o cd de músicas comigo?
Quem vai entrar na igreja, no dia do meu casamento, comigo? (pois é... eu ia fazer uma surpresa pra você...)
Quem meu futuro marido vai poder chamar de cunhado?
Quem apertaria minha mão quando eu estivesse indo ter bebê?!!! ;-(

Quando você se foi, eu pensei que estivesse perdendo um pedaço de mim.
Curioso como o mesmo Deus que nos uniu, também achou por bem nos separar.
Mas o bom disso tudo é que eu amo tanto esse Pai que a gente tem em comum que eu sei que um dia estaremos juntos de novo.
Melhor que isso: por muito amor a você, sei que Ele fez isso por ser o melhor a você.
E como eu também sempre te amei muito, eu sempre quis o melhor pra você.

E esse mesmo Pai que agora enxuga as minhas lágrimas,
foi Ele quem foi capaz de me ajudar a continuar vivendo,
trabalhando,
brigando,
me arrependendo (rs),
correndo na rua,
me fazendo ler,
brincar,
sorrir,
até estudar, sabia?
Viu só? To estudiosa e batalhadora igual a você!

Continuo pedindo a Deus pra levar seu exemplo onde, quando, como e o quanto eu puder!
Continuo pedindo a Deus que me ajude a sonhar... sonhar muito, muito, muito!

E em cada realização de um sonho (pois sei que eles são possíveis!!), eu vou lembrar de você...

E vou lembrar do quanto eu queria que você estivesse comigo sempre, em cada momento...
O quanto eu morria de saudades só do fato de te deixar em casa e ir trabalhar...

E é por você ter sido tão cativante;
é por você ter conquistado a mim e a tantas pessoas;
é por você ter sido quem foi;
amado e lutado como você amou e lutou;
é por eu ter te amado tanto mas tanto... que eu agradeço a Deus pelo privilégio de termos nos conhecido.

Sabe que hoje em dia eu não posso ouvir alguém falando com sotaque angolano que eu vou logo puxando conversa?
Pois é...
Simplesmente eu A-DO-RO falar de você...

Amo meu Pai do Céu que botou um amor no meu coração GIGANTE por você!!!

Ai, meu Deus...
que saudade...
quanta saudade...
tanta saudade...
E que ótimo que ele está no Seu colo agora. Muito obrigada.

Um bjo, querido Deus.

P.S.: Salomitos, o Dia dos Pais está chegando e eu estava pensando nos últimos Dia dos Pais que vivemos, como irmãos, e você sempre surpreendendo o Luiz com o maior carinho do mundo...

Você era incrível !
Você faz muita falta!
E eu daria tudo pra ter um outro Salomão na minha vida...
Não se preocupe: eu já pedi isso a Deus ;-)

Sempre te amei muito, meu maninho Salomão!!!!!!!!!!!!!

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Lembrando nós dois...

"Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
-Parece meio estranho, hein!
-Rum!
Também um bico de pato
E um jeitão de sabiá...


Mas se é amigo
Não precisa mudar
É tão lindo
Deixa assim como está
E eu adoro, adoro
Difícil é a gente explicar
Que é tão lindo...


Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
-E orelhas de camelo, né tio?
-É!
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está...


É tão lindo!
Não precisa mudar
É tão lindo!
É tão bom se gostar
E eu adoro!
É claro!
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo...


São os sonhos verdadeiros, quando existe amor
Somos grandes companheiros
Os três mosqueteiros
Como eu vi no filme...


É tão lindo!
Não precisa mudar
É tão lindo!
Deixa assim como está
E eu adoro e agora
Eu quero poder lhe falar
Dessa amizade que nasceu
Você e eu!
Nós e você!
Vocês e eu!
E é tão lindo!...
-Tio!
-Hein!
-É legal ter um amigo, né?
-É maravilhoso
Mesmo que ele tenha
Bigodes de foca
E até um nariz de tamanduá
-E orelhas de camelo tio, lembra?
-Orelhas de camelo?
-É tio!
-É mesmo, orelhas de camelo!
Mas é um amigo, não é?
-É!
-Então não se deve mudar!"

(A Turma do Balão Mágico & eu & Salomitos :-)

domingo, 7 de agosto de 2011

Flores nas janelas > Europa de Julho de 2011























Fecho os olhos e lembro dos nossos passos ainda naquela procura do balcão do check-in, rumo à nossa super viagem em família.

Quando eu era pequena, aliás, até à idade em que comecei a trabalhar, minha mãe fazia das tripas coração para que viajássemos sempre que fosse possível. Acho que veio daí minha paixão por viagens: sair do meu lugar, da minha cultura, da história da minha cidade e ir de encontro ao novo, ao inesperado e a tudo o que isso pode me acrescentar intelectual e emocionalmente.

Ta certo que já fiz as minhas viagens sozinha e, outras vezes, viajei trechos sozinha e trechos acompanhada mas assim, mega viagem com meus pais, foi a primeira vez. E aí eu vi que há emoção não apenas da viagem mas da experiência de estar todos os dias, todos os segundos, com aquelas pessoas que precisam estar de comum acordo, comum saúde - rs - comum paciencia... e por aí vai.

Lisboa nos aguardava de braços abertos, com um sol radiante. Como não tinha conhecido Lisboa completa desde a outra viagem, dessa vez pude visitar lugares não vistos e também experimentar hábitos familiares de viagem como, por exemplo, sempre dar uma parada para comer algo típico e não apenas sair andando desenfreadamente com um sanduíche nas mãos. ;-)

Apreciamos a boa comida de restaurantes e não nos cansamos de ir à Confeitaria "Pastéis de Belém", fundada em 1837!!!. Meu Deus!!! Cada doce!! Vão ficar nos meus sonhos!! =) Olha que nem sou fã de doce mas esses eram realmente incríveis!

Curtimos cada cantinho da cidade, inclusive o Palácio de Sintra (da outra vez só conheci as muralhas do castelo dos mouros). Nos revezamos nas fotos e o bom de tudo é que nossos olhares atuam, por vezes, rumo a outros prismas. O que traz como consequência fotos maravilhosas, isto é, o que um olho não viu, o outro não deixou escapar! =D

Seguimos rumo ao Sul de Portugal, para a região do Algarve, que eu tanto queria conhecer. Na cidade de Albufeira (no Faro), nos encantamos com as belíssimas praias e a enorme infra-estrutura: caminho de madeira até às barracas de praia (todas padronizadas), os chuveiros muito bem localizados... entre outras delicadezas. À noite, andamos pela "rua dos bares", onde vimos um pouco de tudo: lojinhas, gelatterias (sim... os portugueses aderiram ao gelatto italiano que, por sinal, ainda custa mais barato que na Itália!), padarias que ficam abertas até tarde e que lotam, devido às promoções (após às 18h, todos os doces custam 1 euro! e é cada doce...!! hum...!!), além, claro, de restaurantes apetitosos e bares animados com karaokês. Pois é... pra quem pensava que isso estava ultrapassado, na verdade, na noite de Albufeira, é o que há! Pessoas se divertindo tentando cantar - afinadamente, rs - e tentando acompanhar as letras das músicas. Essa rua, por sinal, é um local muito democrático. Vê-se gente de toda parte do mundo numa socialização bem bacana!

A missa na Catedral de Albufeira - pequena, acolhedora e lotada - nos emocionou com o sermão: o padre dizia que servíamos de grande testemunho por estarmos ali dentro, num dia de sol esplendoroso, com praias estonteantes lá fora porém, nós ali, fazendo o nosso "pouco" para um Deus tão grandioso, amoroso e generoso!! Sim, pois tudo o que estávamos vivendo e vendo, era tão somente muito bem criado por Deus e graças a Ele, tínhamos o nosso salário bem juntadinho para pagar por aqueles momentos inesquecíveis... ;-)

De Albufeira, seguimos para Lagos, onde eu nunca imaginaria que encontraria praias mais belas ainda! Depois de um "tour" panorâmico, ficamos na Praia do Camilo, com um formato todo especial de falésias esculpidas dentro do mar (mas bem próximas à areia) e dos mais variados formatos. Para fechar o dia, um jantar com pôr-do-sol (aquele pôr-do-sol europeu que acontece por volta de 21h30) na praia de São Rafael (quando voltamos à Albufeira). O restaurante é estratégico, bem em cima da areia, com todas as janelas expostas ao mar e todas as mesas privilegiadas com aquele visual abençoado por Deus.

No dia seguinte, voltamos pra Lisboa pra pegar um avião pra Barcelona. Nossa querida e cultural Barcelona, nos esperava! Já foi minha segunda visita a essa cidade que respira arte por todos os lados! E que maravilha voltar aí ! Visitamos as preciosidades do incrível Gaudi: a "Casa Batlò", a "La Pedrera", o "Parc Güell" com sua harmonia de sempre (só que dessa vez com mais flores! lindas! acho que quando fui na Primavera, a estação estava meio atrasada pois, agora no verão, o parque estava ainda mais repleto de lindas flores!). Como boa “rata de praia” que mamãe é, fiz um tour diferente em homenagem a ela: tiramos umas horas para caminhar na orla da praia de Barcelona desde "Mar Bella" até à praia de "Barceloneta". Caminhando entre essas duas praias, passamos pelo Porto de Barcelona, todo restaurado (e muito bem restaurado) devido às Olimpíadas que aconteceram poucos anos atrás. Uma Marina gracinha... :o)

E como Barça (carinhosamente por mim chamada) é uma cidade com muitas opções, ainda nos restavam várias coisinhas especiais: a "Arena de Barcelona" (ex-local de touradas, como a que existe na "Praça dos Touros" em Madri) hoje abriga lojas e cinemas e, a Igreja da "Sagrada Família" (também de pura responsabilidade do fantástico Gaudi) e que, claro, praticamente dispensa comentários. A fila que dá voltas no quarteirão (percebi isso agora no Verão pois quando fui na Primavera, não tinha não ;-) vale completamente o esforço, ainda que debaixo de um sol de 35 graus (que eu a-do-ro! :-)

A Igreja concentra uma inspiração incrível de Gaudi quando, vemos por todos os lados, a mais extraordinária harmonia entre colunas, torres, pássaros, árvores... e toda história da salvação! A vida de Jesus está presente de forma completa, de maneira que cada pedacinho da Igreja mescla arte e encenação de todos os momentos da vida de Cristo. No subsolo, um acervo impressionante de todo o árduo trabalho de Gaudi, todos os seus rascunhos e toda sua história de vida. Tudo muito fascinante!
Nos despedimos de Barça conhecendo o terraço da "Arena de Barcelona", onde há uma vista deslumbrante da Catedral de Barcelona, de um jardim bem bonito, dos portões da entrada da cidade...

Justamente porque não tenho muito apreço pelo frio que, nunquinha reclamo do sol. Justamente porque fazia 35 graus em Portugal e na Espanha, eu só dava pulos e pulos de alegria! Mas qual não foi a surpresa quando chegamos à Alemanha e nos deparamos com 10 graus em pleno Verão europeu! Pois é... vejam só... rs. Mas tudo bem. Se quem tá na chuva é pra se molhar, quem ta de férias na Europa, mais uma vez, e indo rever as minhas queridas primas, é pra curtir!! Graças a Deus, tínhamos levado algumas roupinhas de frio (que foram acrescentadas com roupinhas emprestadas pela minha prima, rs) e lá fomos nós passear por Nurembergue e Fürth (cidades coladinhas uma na outra e cheias de história e visuais encantadores...). Em Nurembergue, as fontes com esculturas que retratam a dura história do Holocausto, o castelo da cidade que também está rico de histórias e nos remete a uma bela vista da cidade. Aí, pertinho do castelo, está a casinha mais antiga da Alemanha! Uma fofura... Enfim, apesar do Nazismo, os alemães se reergueram, com certeza, em muitos aspectos e sua cultura dá um banho nos quesitos organização, valores, cidadania... A começar pela credibilidade em acreditar na índole do seu povo que não precisa passar por roletas para pegar um metrô. As autoridades simplesmente confiam que as pessoas vão comprar o bilhete de metrô e aí sim, usarão o meio de transporte. Impressionante né?!

Em Fürth, uma cidadezinha menor que Nurembergue, os cafés nos enchiam os olhos com suas tortas apetitosas de maçã e muitas outras geniais (aí já estava a competição gastronômica com as confeitarias de Portugal... ai ai ai... minha barriguinha! rsrs). Haja silueta para ser mantida com tantas coisas boas apresentadas! Tivemos que começar a nos segurar para não virarmos uma bolinha e voltarmos pra casa rolando... rsrs. Ainda bem que caminhamos bastante em Fürth, nos seus parques e florestas magníficos! Árvores impetuosas, gramas perfeitas que nem parecem de verdade, um caminho no meio de todo aquele verde e um rio que sempre nos acompanhava à margem. E assim, não mais que de repente, um roseiral no meio do parque. Depois, mais surpresas com flores das mais variadas espécies, hortinhas e muitas outras belezas naturais! Um cenário que frio algum fez-nos desanimar!

Outro momento especial na Alemanha foi a Crisma de uma das minhas priminhas: a Kathrin. Fui convidada para ser sua madrinha (quanta responsabilidade ;-) e como foi gostoso estar ali, naquele momento marcante e emocionante. Realmente, por tudo, podíamos agradecer a Deus! Estávamos vivendo dias incríveis... Junto com tudo isso, a tal convivência familiar que, antes estava sendo entre eu e meus pais e, na Alemanha, nos juntamos à família da minha prima. Aí vivemos uma rotina diferente da viagem, como se não estivéssemos viajando mas sim, como se estivéssemos morando por algum tempo ali, fazendo parte da rotina daquela família. Ver seus hábitos, suas saudades do Brasil, seus ensinamentos de sua cultura, seus olhares alemães sobre a rotina e sobre vida, futuro... Que delicioso foi sentar à mesa e conversar tanto, sobre tudo... e o melhor: conviver e, vez ou outra, chegar no "personagem" Deus. Minha priminha mais nova (Carolin), chegou a prender o dedinho da mão entre a brecha do banco e sua unha levantou. Isso trouxe uma dor que ela chorou tanto mas tanto... Levantamos da mesa correndo e enquanto um buscava por gelo, outro buscava por algo para enrolar o gelo e outro enxugava as lágrimas dela... Curioso como de um simples fato, vi um laço tão bonito de família. Meu padrasto - também encantador - cuidou da minha priminha como se fosse sua filhinha, contando histórias pra ela, explicando porque o dedo tinha ficado roxinho, o que melhoraria e o que não era bom que ela fizesse... Tudo isso com um tom tão grande de carinho que fiquei emocionada. Mais uma vez, agradeci a Deus por ter conhecido - em plena viagem - esse lado paternal do meu padrasto com crianças. Colocou minha priminha pra dormir e ainda fez graça da situação. Arrancou sorrisos, bateu fotos e, no fim, todos tínhamos nos divertido e nos emocionado com aquilo tudo... :o)

No dia seguinte era dia de partir. Mas nada como um "até breve" para nos fazer chorar menos! ;-)

Chegamos a Zagreb, capital da Croácia. Um povo bem acolhedor mas que não conhecemos mais profundamente pois estávamos de passagem para Split (cidade litorânea da Croácia e segunda cidade mais importante da Croácia, depois da capital Zagreb). Chegando a Split, uma chuvinha me assustou. Afinal, não dava pra ir à praia (foco de Split) com aquela chuvinha. Só que Deus - que toma todos os nossos planos bem na frente de nós mesmos - já tinha calculado tudo: os nossos primeiros dias, na verdade, não eram em Split mas sim, em Medugorje (pegaríamos um ônibus em Split rumo a Medugorje, na Bósnia, e depois sim, voltaríamos a Split). E assim foi: apenas dorminos 1 noite em Split (a noite chuvosa) e saímos de manhã cedo (uma manhã também chuvosa) mas que nos levava a Medugorje (uma região de montanhas e super especial, que vem sendo estudada devido aos relatos das aparições de Maria aí). Chegamos a pensar que não havia problema chover por lá (já que não era região de praia) mas qual não foi a nossa surpresa quando, lá pela metade do dia, saiu um sol inesperado por entre tantas nuvens e fez-nos admirar um cenário ainda mais bonito. Aquela região cercada de altas montanhas, ricas experiências espirituais, pessoas buscando estar ainda mais próximas de Deus, vinha nos mostrar um cenário espetacular, lá do alto do monte (meio a carvalhos e rochas) - o monte onde estuda-se o caso das aparições - um cenário perfeito, um visual lindo e mais um momento inesquecível.

Quando deixamos Medugorje, também deixamos um gostinho de "quero mais" da Europa Oriental, com pessoas hospitaleiras, simples e fortes. Pessoas que enfrentaram até pouco tempo atrás um período de guerras (assim como na Croácia) e vem se reconstruindo e seguem se orgulhando de sua pátria, seus pontos turísticos e tudo o que podem oferecer, da forma mais graciosa possível.

Depois de sairmos de Medugorje para voltar a Split e passarmos - de ônibus - babando com a vista da janela que nos apresentava o mar Adriático totalmente trans-pa-ren-te (!!!) largamos as malas num flat bem no centro de Split e disparamos a desvendar algumas das muitas praias que a cidade abriga (além de suas ilhas espetaculares mas que, tiveram que ficar para uma próxima oportunidade... dessa vez só conheci por fotos ;-)

A praia que "descobrimos" em Split foi dentro de um parque de mais de 5km floresta adentro! Isso mesmo: de um lado, só árvores e do outro, só mar! Aí curtimos um visual bem diferente de praia: a areia, em alguns trechos, não era areia e sim, grama, rs. E em outros trechos, muitas pedrinhas, como se estivéssemos em cachoeiras. Conhecemos então um hábito bem exótico de traje de banho: andar pela beira do mar e entrar no mar de sapatos! ahahah. Mas não são tênis não... são sapatilhas de borracha, apropriadas para andar sobre as pedrinhas aglomeradas no mar. Eu e meus pais, como muito mal-informados que somos, rs, entramos de chinelo mesmo. Lá pela quinta vez que íamos à praia, minha mãe já disse: "Ai ai ai... quero ver esse chinelo aguentar até o fim da viagem... rsrs". E assim curtimos as praias de Split: : às vezes de chinelo, às vezes nos arriscando ver se os pés aguentavam. E sempre - seeeeempre - com a câmera nas mãos, capturando cada pedacinho daquele mar deslumbranteeeee!! Cheguei a brincar que, depois do Algarve em Portugal e depois do litoral croata, ainda vou demorar muito para pensar em ir na Grécia pois tenho certeza de que esses lugares in-crí-veis não deixam nada a desejar!! =D

Chegamos a alugar bicicletas para irmos até onde nossas perninhas não aguentavam mais caminhar (e eram locais que não passava carro, devido à preservação) e aí, nesses pontos, depois de muitas ladeiras subindo de bicicleta em meio a tantas árvores e barulho intenso de cigarras, avistamos cenários de filme!! Estávamos em pontos muito altos, em cima de muito verde e avistando uma combinação perfeita entre montanha e mar azul cristal... aliás, azul quase não se via pois tudo era transparente! Mais uma vez me peguei emocionada, pensando nas coisas tão lindas que as mãozinhas de Deus criam por aí... Eu, tão acostumada com o Pão de Açúcar na minha cidade (também impressionantemente feito pelas mãozinhas de Deus), só estava babando mais um pouquinho das coisas perfeitas que Ele faz... Que maravilha!!

Apreciamos um espetacular pôr-do-sol também em um restaurante à beira de uma das praias e depois, fomos tomar um banho para caminhar pela orla na parte portuária de Split. (é impressionante a quantidade de cruzeiros que chegam aí !) Não apenas a orla mas, toda a parte do centro da cidade, é de construção romana, com o mais puro mármore em todos os cantos que a gente olhava e ainda a relíquia do fantástico palácio bem em frente ao porto, cuja torre altíssima (e que podíamos subir) nos remeteria a uma vista esplendorosa da cidade todaaaa...

No calçadão na área portuária, canteiros com flores e palmeiras enormes, como se estivéssemos em Miami (ahahah... só pelo o que já vi em filmes e fotos... rsrs). Tudo branquinho brilhava (por causa do mármore) e o contraste com os jardins, nos faziam sentirmo-nos num filme mesmo! Um filme extraordinário... muito, muito, muito bom!

Ah, uma curiosidade: em Split há lugar ou para beber ou para comer. Se você se sentar num bar ou num café, só poderá beber. Se for a uma padaria, só poderá comer. Apenas em restaurantes é que é possível comer e beber ;-)

Nossa despedida de Split foi por uma boa causa: estávamos indo a Milão mas não para vagar por lá mas sim, para conhecermos um pedacinho do Lago di Garda, situado numa cidade chamada Sirmione, que fica a 100km de Milão. E lá fomos nós - sem falar nadinha de italiano mas tentando desvendar todas as placas! GPS? Que nada! Peguei todo o trajeto no google maps e lá fomos nós, seguindo tudo o que o google tinha me dito! ahahah
Chegando em Sirmione, com seus canteiros também muuuuito floridos e um sol que seguia nos acompanhando com aquele calor de Verãoooo, avistamos o castelo romano - famoso na cidade - bem na beirinha do lago. A cor? Azul piscina!! Me fez lembrar demais os lagos que vi na Suíça quando fui conhecer os Alpes. O lago é tão grande que não é possível ver a outra margem... incrível... como se fosse mar...! A diferença é que ele estava cheio de patos!! Isso mesmo! Um lago azul turqueza, rodeando um castelo e cheinho de patos brancos e enormes! rsrs.

É claro que a família rata de praia não ia ficar fora de um mergulho né! Lá fomos nós tirar proveito de toda a super estrutura (cabines em volta do lago para trocarmos de roupa, trechos só com chuveiros, trechos só com banheiros... tudo muito bem organizado). E assim, trocamos de roupa e caímos na água (do lago!), nadando no meio dos patos... Exótico, bonito e divertido... ahahahah.

Sirmione também foi a cidade em que marquei de encontrar com a família italiana que tinha me recebido na casa deles (perto de Veneza) 3 anos atrás. Depois de nos encantarmos com o castelo, fomos fazer bagunça dentro d´água. E depois de um bom gelatto italiano, fomos fazer bagunça numa pizzaria! Um dia muuuito gostoso. Foi ótimo rever essa família e sentir nosso carinho recíproco. Eles conhecem tudo o que me é importante, perguntam por tudo na minha vida (como vai a vovó, como está o trabalho, como estão os trabalhos voluntários e etc) e eu também, conversando sobre como estavam as coisas com eles, sabendo de suas novidades, ouvindo ansiedades, planos, fatos e sentindo o carinho da amizade deles. Um momento de matar as saudades e de viver mais um dia especial.

Milão - conhecida bem rapidinho - na verdade, a sua Catedral, foi também a cidade que me premiou com o "rompimento" do meu meu chinelo, ahahahah. Ali, pertinho da estátua de Leonardo da Vinci que leva à galeria que chega à Catedral, meu chinelinho Havainas, finalmente arrebentou. Não aguentou tantas praias com pedrinhas (nem as de Split e nem o lago de Sirmione que era exatamete igual: o fundo cheio de pedras... rsrs). Fui forçada a comprar um chinelo numa lojinha de lembranças e nele vem todo escrito "Milão". E eu que pensava que tava bem fashion, com 1 dia de uso do chinelo, vi o que ele fez com meu pezinho! Deixou-o todo pretinho e o chinelo se acabou... foi afundando (no formato do meu calcanhar... nossa... que coisinha ruim... salve salve Havainas que, por sinal, o modelo mais simples na Europa custa 24 euros!! Socorroooo!! rsrs)

Uma experiência também inesquecível em Milão foi com a comunicação difícil entre nós e os italianos de uma lanchonete que entramos tarde da noite. Os donos eram chineses, estavam ali 2 fregueses que eram de Marrocos mas que falavam espanhol. Eu e meus pais estávamos tentando explicar o que queríamos comprar. Eles tentaram por quase 20min entender o nosso pedido (com a ajuda dos hermanos que falavam espanhol comigo) mas, a confusão foi tão grande que eles me chamaram pra dentro da cozinha pra fazer os sanduiches!! ahahahah. Lá fui eu dar uma de Mestre Cuca! (cá entre nós, logo quem!! ahahah). Foi divertido!!! Me senti super à vontade, todos brincaram e riam muito e o mais hilário foi a nossa comunicação enquanto eu perguntava onde estava o queijo, o cortador de queijo, a laranja e etc... rsrs.

Próxima parada? Assis! Ou melhor: Assisi ! :o)
Impressionante como, só o fato de pisarmos na estação de Assis já estávamos flutuando...!!! Que lugar extraordinário!!! Chegamos à noite (mas o dia ainda claro) e seguimos para o hotel muito bem localizado no meio das montanhas (mesmo assim, não fazia frio) e com uma vista lindaaaaa para a Basílica de São Francisco de Assis e, à nossa volta, muuuuitos pinheiros! O hotel oferecia janta e aproveitamos a oportunidade para sossegar por ali e, no dia seguinte, levantar cedo para conhecer a cidade. Eu tava ansiosa!!

O dia amanheceu lindo, lindo, com aquele solzão que eu bem gosto e com aquele clima de Verão que eu também adoro. Tomamos café, apreciamos um pouco a bela paisagem da nossa varanda, demos uma volta no jardim do hotel e seguimos rumo ao centro de Assis. Conhecemos a Basílica de Santa Clara (uma graça... um encanto... uma emoção...!). Talvez a história apresentada ali em textos e pinturas, tenha me feito mais emocionada. Ou, talvez, simplesmente o fato de estar ali, num lugar tão especial, onde viveram pessoas tão especiais como Santa Clara e São Francisco, tenha mexido tanto comigo. Depois de uma breve oração, conhecemos o lugar onde o pai de São Francisco o fez prisioneiro quando o filho decidiu pela vida religiosa. Dali, demos uma caminhada pela cidade, passando pelos altos e belos arcos romanos que se espalham pela região que fica como que cercada por muralhas. Entre uma ladeirinha e outra, lembrava de cenas do filme "Irmão Sol, Irmão Lua" e sentia algo especial no coração...

Visitamos o "Templo de Minerva", o "Anfiteatro" e seguimos rumo à Basílica de São Francisco. Chegando lá, mais emoção! Que prazer enorme estar ali, relembrar da vida e das propostas desse santo e também o quanto ele mexeu com as estruturas da época! De lá, voltamos à Basílica de Santa Clara onde assistimos a uma missa angelical... E então, seguimos para o "Eremo delle Carceri" (de táxi, pois fica situado numa altíssima montanha e o tempo até lá é de 10min só subindo a serra com o carro). Aí, nesse Eremo, São Francisco e seus seguidores costumavam meditar. Há aí uma capela, um altar aberto (em pleno meio da floresta, apenas com banquinhos e uma cruz) e também algumas grutas, onde pode-se ver riscados de pedra crucifixos e pequenas anotações que esses queridos faziam. Pura emoção, de novo...

Voltando dessa floresta, mais embaixo, quase chegando à cidade, subimos uma outra montanha (a pé, pois não há acesso para carro e também é menos extensa) até o castelo da “Rocca Maggiore", de onde podemos avistar toda a acidade de Assis, bem do altão! Podemos ver a Basílica de São Francisco, de Santa Clara, a Catedral de São Rufino, a estação onde chegamos com o trem (láááá longe) e a Igreja de Santa Maria Maior, que ainda fica do outro lado da linha do trem (bem fora das muralhas que cercam Assis).

Maravilhados, revigoramos nosso coração naquela cidade. Alguma coisa forte ficou bem mexida dentro de mim. Saí dali reflexiva, apaixonada ainda mais por Deus e com o desejo ainda maior de entender ainda melhor a minha missão e segui-la com muita confiança!

O trem que nos fez partir de Assis, nos levou a Roma. E eu que já conhecia Roma e pensava que ia ser tudo igual, me surpreendi. Primeiro que, só o fato de andar em família, foi super gostoso, então, passar pelas praças e fontes com meus pais, parar pra comer, conversar, ver nossa gama de fotos e etc, já foi bem diferente. Mas, muito além disso, foi o detalhe de termos sido acompanhados (em um dos nossos dias em Roma) pelo meu querido amigo Irmão Ivan, que nos deu uma aula de história e de espiritualidade. Mais sobre Jesus, impossível ! :o)

Depois de ter ido com meus pais na tradicional "Fontana de Trevi", no "Pantheon" e na "Praça da Espanha", fizemos o tour espiritual com o Irmão Ivan que, com certeza, aconteceu só para mexer ainda mais com o nosso coração já tão tocado em Assis. Conhecemos, graças ao nosso amigo, detalhes de todos os porquês de cada pedacinho do "Vaticano". Depois, conhecemos a Basílica de São Paulo que eu ia morrer sem saber que existia (ninguém me contou essa parte quando estive sozinha em Roma 3 anos atrás ;-) e aí eu já estava bem tocada pois sou apaixonada pelos escritos deixados por São Paulo e pela própria vida dele, seu testemunho, doação e dedicação. Meus pais também não estavam muito diferentes de mim não... A cada pintura, a cada detalhe que aprendíamos ou que conhecíamos e admirávamos, mais emocionados ficávamos. Nós três. Quanta bondade de Deus fazer isso por nós!!!

Seguimos para a Igreja de Santa Praxedes, onde está guardado um pedaço da coluna em que Cristo foi flagelado (uma relíquia vinda de Jerusalém) e aí também ficamos bem impressionados. De lá, fomos à Basílica de São João de Latrão onde está um pedaço da escadaria do palácio de Pilatos (escada em que Cristo subiu até o fim, para ser julgado). E, finalmente, fomos a uma Igreja (que não recordo o nome agora :-( onde estão mais relíquias desse período valioso que foi a história de Cristo. Aí se encontrava um dos pregos que o pregou na cruz + alguns espinhos (da coroa de espinhos) + um pedaço da placa que foi pregada no alto da cruz de Cristo, entre outras relíquias. Eu nunca, nunca, nunca, vou esquecer desses momentos tão ricos, tão abençoados, tão privilegiados por Deus! Esse dia foi realmente incrível e extremamente emocionante!

Muita gente me pergunta porque não tenho tanta vontade de conhecer lugares na América. Eu até que tenho vontade mas realmente, confesso que a Europa me fascina com suas histórias, suas arquiteturas, suas belezas naturais (porque não há só beleza construída) e também sua riqueza espiritual, como pude viver em Fátima (3 anos atrás) e em Medugorje, Assis e Roma nessa viagem.

Reparando no jeitinho dos europeus... uma coisa que há de muito bom é que eles trabalham com amor e nos atendem muito bem, em qualquer estabelecimento. Eu diria que, se há algum defeito ou algum obstáculo um pouquinho maior do que os naturais numa viagem, diria que os europeus são pessoas - em geral - difíceis. É um enorme prazer conhecer alguém que abra um sorriso com mais facilidade (ou com alguma facilidade, rs). Não tem jeito. Nós, brasileiros, somos realmente calorosos e simpáticos. Eu diria até que essa análise é um pouco contraditória pois muitas vezes nós brasileiros tomamos patadas de próprios brasileiros mas, no geral, ao menos no quisito "hospitalidade", sei que somos bons nisso e com os europeus é mais difícil isso acontecer... Mas, de qualquer forma, apesar de ter levado alguns foras, curioso como foram em menos quantidade do que nas outras duas vezes que estive por lá. E mais do que essa curiosidade, fica em minha mente uma cena simples mas muito significativa e completamente repetitiva: flores nas janelas! Uma cena que expurga - de forma pouco subjetiva - que esse povo tem lá suas emoções e pode sim, estar aberto a uma sensibilidade maior. Porque foram tantas as janelas que vi flores expostas, vasinhos muito bem cuidados com flores muito lindas e bem tratadas, que fiquei pensando o quanto há amor aí. O quanto, a cada janela tão florida, há uma portinha mais aberta do coração. É como se esse povo desejasse tanto a Primavera por aguentar tão bravamente o Inverno que, quando ela chega, eles também se abrem, abrem seus corações, abrem suas janelas e põe suas flores à mostra.

E que belas estradinhas, ruelas, estradonas e rodovias eu vi, enfeitadas das mais diversas, coloridas e lindas flores!

Deus abençoe os europeus, suas terras, histórias, conquistas, reconstruções e corações!

Deus abençoe minhas queridas tias que cuidaram da vovó (com tanto amor, zelo e carinho) para que eu e minha família pudéssemos viver esse momento incrível!

Deus abençoe todas as pessoas que reencontramos na viagem!

Deus abençoe todas as pessoas que conhecemos na viagem... Nos lugares em que nos hospedamos, nos trens, aviões, confeitarias, praias... enfim! Muita gente!

Deus abençoe meu emprego, que me permite suar tanto e também poder viver momentos tão especiais!

Deus abençoe meus pais que me aturaram (pilha Duracell, rsrsrs) e que Ele continue cuidando da nossa família e também nos fazendo pôr na nossa janela as flores ainda guardadas dentro de nós...

Obrigada, meu Deus, por tudo!!! Tudo, tudo, tudo!!!